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Quem Somos

Londrina é uma das poucas cidades brasileiras privilegiadas com um Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano. O IPPUL - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina foi criado em julho de 1993, através da lei nº 5.495, como orgão da Prefeitura Municipal de Londrina para organizar o crescimento do município de forma integrada, melhorando a qualidade de vida de sua população e preparando Londrina para o futuro.

Como responsável pelo gerenciamento do desenvolvimento urbano, o IPPUL é um órgão-chave na definição de inúmeras diretrizes que têm influência direta na qualidade de vida da população. Seu trabalho técnico e reflexivo, exige sempre muito estudo para definição das suas ações. E por isso, o Instituto está sempre aberto para consultas e sugestões.

 

Histórico

Em passado recente, o norte do Paraná era recoberto apenas por densas florestas onde o pau-d'alho, o palmito e a figueira sobressaíram-se como padrões naturais de uma terra roxa e fértil. Nessa zona promissora, a coragem de alguns mineiros e paulistas marcou o início de uma grande investida.

A colonização inicial do norte do Paraná foi espontânea. Seguindo o percurso da ferrovia São Paulo - Paraná , ela veio alcançar o rio Tibagi em 1932. Cambará (1904-1908) assinalou o início da conquista da nova região e a maior parte da terra desse ponto até o rio Tibagi era dividida em grandes propriedades particulares. A colonização da maior parte dessa área foi feita por particulares na medida em que os grandes proprietários dividiam suas propriedades em pequenos lotes que eles vendiam como datas urbanas ou estabelecimentos rurais.

A oeste do Tibagi havia então vastas áreas desses ricos solos em terras que pertenciam, em sua maior parte, ao domínio público. Mas, já em 1920, existia uma desilusão generalizada quanto ao ritmo lento da colonização oferecida pelo Estado e caracterizada pela falta de continuidade, limitados recursos financeiros e inépcia oficial, descrédito acrescido pelo fato de que a Primeira Guerra Mundial não somente interrompeu o fluxo de imigrantes, como também criou uma considerável desconfiança naqueles já presentes. Em conseqüência, o estado do Paraná, no período de 1922 a 1932, fez um número substancial de concessões de terras a empresas de colonização privada, preferindo usar seus recursos públicos para a construção de escolas e estradas.

Em 1924 veio ao Brasil, como técnico em agricultura e florestamento da Comissão Montagu, Lord Simon Lovat, cujo interesse imediato era a possibilidade do cultivo do algodão em larga escala. É que o Governo brasileiro, sabedor das intenções desses grupos de investir em atividades agrícolas no exterior, procurou interessá-los e convidou-os a visitar o país.

Lord Lovat esteve, entre outras áreas do Brasil, na região norte do Paraná, que muito o impressionou devido a excelência de seus solos. Imediatamente adquiriu duas glebas para instalar fazendas de algodão e máquinas de beneficiamento, organizando em Londres a "Brazil Plantations Syndicate Limited". Foram adquiridos inicialmente 415 mil alqueires, e posteriormente diversas áreas fracionadas, totalizando 546.078 alqueires, até o final do empreendimento.
O insucesso deste empreendimento - num período de preços baixos e sementes deterioradas - já em 1925 determinou a mudança dos planos iniciais. Na tentativa de ressarcir-se dos prejuízos sofridos, a "Brazil Plantations Syndicate Limited " resolveu criar um projeto imobiliário nas terras adquiridas, organizando a "Paraná Plantations Limited", cuja subsidiária no Brasil chamou-se "Companhia de Terras Norte do Paraná". Estava começando, segundo o slogan corrente na época, "a mais notável obra de colonização que o Brasil já viu".
Esta companhia efetuou a fundação de 63 cidades e patrimônios, e vendeu 35.103 lotes rurais, em sua maioria inferiores a 30 alqueires, e 70 mil datas (lotes urbanos) com a média de 500 metros quadrados, cada.

A primeira providência, após a definição do destino das terras, foi o de promover um levantamento topográfico, que iniciou pelas terras mais próximas, ou seja, após o rio Tibagi. Também foram estas as primeiras a serem demarcadas e vendidas, estendendo-se gradualmente para oeste. O Norte Novo, teve sua ocupação efetivada no período que vai desde a criação da Companhia até a época da Segunda Guerra Mundial. Após o término desta ocorreu a ocupação do Norte Novíssimo, já pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná - CMNP, que substituiu a CTNP.

Em 1930, iniciou-se a venda dos lotes na região de Londrina.

No tocante ao desenvolvimento rural, a Companhia primeiramente esclareceu os títulos de propriedade de terras - tarefa formidável nas condições brasileiras - o que teve como resultado casos surpreendentemente pouco numerosos de conflitos entre colonos com antigas prestações e os novos recém-chegados. Além disso, usou-se propaganda em larga escala para colonos, e para que os interessados pudessem chegar até as terras, montou-se uma estrutura de apoio, com a colocação de transporte gratuito, feito através de uma jardineira. Estes interessados chegavam via ferrovia, primeiro até Cambará e posteriormente até Cornélio Procópio ou Jataizinho, até onde chegavam os trilhos da estrada. Os compradores em potencial, eram levados até algumas árvores, principalmente a figueira branca que era indicativo da grande fertilidade do solo. Existia também a promessa de plena posse das terras dentro de um prazo de quatro anos. Foi oferecido também, assistência técnica e financeira aos primeiros compradores. Segundo relato, em 1975, de Hermann Moraes de Barros, presidente da CMNP e filho do primeiro presidente da Companhia, os interessados

"Visitavam as glebas disponíveis e escolhiam o seu lote, regressando logo para fechar negócio e pagar os dez por cento exigidos para assegurar a posse da propriedade. Dentro de sessenta dias deveriam completar a entrada com mais vinte por cento do total e assinar o respectivo contrato de compromisso. O restante era pago em quatro anos, a saber: dez por cento ao final do primeiro ano, quantia esta módica por ser o ano da abertura da propriedade, e vinte por cento no final de cada um dos três anos seguintes. Os juros não ultrapassavam oito por cento ao ano."

Quando da efetivação da compra, o novo proprietário dispunha de uma verba para a mudança, por conta da CTNP.

A Companhia preocupou-se em elaborar um levantamento de toda a área rural e, onde possível, foram elaborados mapas de solos.

Ao dividir a terra em lotes relativamente pequenos, a Companhia de Terras afirmou explicitamente que sua política visava "favorecer e a dar apoio aos pequenos fazendeiros, sem por isso deixar de levar em consideração aqueles que dispunham de maiores recursos". E com esta subdivisão de terra, conseguiu a Companhia promover uma verdadeira reforma agrária, sem intervenção do Estado e cuja conseqüência social mais importante, se traduziu na oportunidade oferecida aos trabalhadores sem posse, de adquirirem os pequenos lotes agrícolas, cujas dimensões e modalidades de pagamento eram sempre amoldados de acordo com a posse dos compradores. Este sistema de colonização estimulou fortemente a concentração da produção - sobretudo cafeeira -, a explosão demográfica, a expansão de núcleos urbanos e o aparecimento, no norte do Paraná, de classes médias rurais.

O primeiro posto avançado da colonização, criado em 1925, recebeu o nome de Londrina - filha de Londres -, homenagem que o Dr. João Domingues Sampaio, um dos primeiros diretores da Companhia de Terras Norte do Paraná, prestou aos empreendedores ingleses. Mais tarde, a 3 de dezembro de 1934, através do Decreto Estadual nº 2519, assinado pelo interventor Manoel Ribas, foi criado o município de Londrina. A instalação solene, deu-se poucos dias depois, a 10 de dezembro. O novo município, estendia-se desde a divisa do município de Sertanópolis até o rio Paraná, limitado ao norte pelo rio Paranapanema, abrangendo uma superfície de 923.117 alqueires, conforme demonstra o mapa regional (situação - 1938).

Como o objetivo primário da Companhia era o de colonização e aproveitamento da área rural, a estruturação dos núcleos urbanos veio em segundo plano, tendo estes a função específica de apoiar as áreas rurais. Segundo depoimento do Dr. Alexandre Rasgulaeff, engenheiro agrimensor geodesista, contratado pela Paraná Plantations como responsável pela formação de todas as cidades de Londrina a Maringá,

"...era a estrada de ferro quem escolhia o local da estação, das futuras cidades e a posição geográfica".

Neste relato gravado em 21 de setembro de 1972, Dr. Alexandre considerava que:

"...tenho críticas à cidade de Londrina. A cidade é muito mal projetada, mas a culpa não é minha, eu vou dizer a verdade. Quando projetei a cidade com as avenidas de 30 metros e as ruas de 24 e apresentei esta planta, o presidente que chegou lá naquele tempo, o General Asquith falou: bom, nós vamos levar a planta para estudo na Inglaterra e depois de lá você recebe a ordem de executar, e veio a ordem que esse Alexandre é louco. Uma cidade você sabe, no meio do mato, abre ruas com 30 metros de largura, ruas com 24 metros, não convém.
Quem vai construir ruas? Nós. Quem vai pagar impostos? Nós. Não, não. Então mandaram diminuir, ruas de 16 metros, o máximo que aceitei. Eles queriam 12 metros. Máximo que aceite, avenidas com 24 metros.

Fiz o projeto de toda a cidade. Projetei a avenida Paraná, passando aqui o Fuganti e indo para Nova Dantzig, hoje Cambé. Depois a avenida Rio de Janeiro e avenida São Paulo essas duas que vão descer lá para a estação.
Na planta original não existia a avenida Higienópolis. A cidade crescia progressivamente de modo que quando acabou a saída para Nova Dantzig, ainda não existia a entrada à esquerda para a Higienópolis.

Desenhei todas as ruas. A rua Heimtal que era a Duque de Caxias, a Mato Grosso ... Na minha ausência Carlos Rotmann diminuiu a largura da rua Cambé para 12 metros conforme as ordens da Inglaterra, mas quando eu voltei eu rejeitei e disse de jeito nenhum, eu não aceito porque eu sou o responsável pela formação da cidade, não é ele.

Desenhei a planta de Londrina na minha casa construída na minha chácara onde hoje é a Anderson Clayton..."

A proposta original da área urbana, fora adequada pelos ingleses, conforme o formato de tabuleiro de xadrez (Figura I.2), segundo os propósitos para os quais a mesma foi criada, ou seja, dar suporte às atividades rurais da região, e foi considerada suficiente para abrigar no futuro 30 mil habitantes, embora haja fontes que falem em 20.000 habitantes. O núcleo urbano era dividido em datas, circundadas por pequenas propriedades rurais, que cresciam de tamanho conforme divergiam deste, até atingir dimensões de grandes fazendas, conforme indica relato de Artur Thomas:

"Em redor da cidade a Companhia traçou uma faixa de terras para serem cortadas em lotes de um, dois e tres alqueires, com idéias de serem abertas clareiras para hortas, granjas e pequenas culturas para abastecer a cidade futura com verduras, frutas, leite, etc.. Com a passagem do tempo, o crescimento da cidade exigiu espaço e, pouco a pouco, a maioria destas chácaras foram loteadas e nelas surgiram subúrbios por todo o lado. Ainda com a idéia de criar maior desenvolvimento possível para o comércio, as terras até 5 Km foram cortadas em sítios, do limite mais ou menos de 5 alqueires somente, e nos outros 20 Km a Companhia não vendeu lotes maiores de 20 alqueires."

Na zona rural, os lotes de dimensões variadas, foram demarcados de forma que cada um se estendia do espigão, onde foram projetadas as estradas vicinais, até a baixada, que serviam todas de água. A rede de estradas vicinais, formou uma malha que totalizou 5.000 km, com o intuito de escoar mais eficientemente a produção.

Nas décadas de 1930, à 1950 a ocupação de Londrina foi extremamente rápida na área hoje conhecida como Centro Velho, bem como nos corredores de acesso e saída caracterizados como vias principais, tendo como entrada a Avenida Celso Garcia Cid, anteriormente a Avenida Paraná, prolongamento da Estrada dos Pioneiros; Avenida Duque de Caxias, que em suas extremidades servia seus distritos; a norte Heimtal e Warta, e a sul, Tamarana, Paiquerê, Selva e Irerê; pelo corredor da Avenida Higienópolis, passava pelo Parque Guanabara, atendia os distrito de São Luiz, Guaravera, Taquaruna e pela Rua Quintino Bocaiúva dava acesso a cidade de Cambé e Rolândia.
Nesses corredores formaram-se em suas margens o desenvolvimento de atividades comerciais, para abastecimento da grande população rural, que na época era superior a população urbana.

Na década de 1950 Londrina começava a se destacar como uma das cidades mais importantes do interior do Brasil, pois assumia papel de centro de comercialização de produtos agrícolas, e definindo-se no comando da região norte do Paraná.


Nesta fase surgiram as primeiras indústrias alimentícias, tais como, Moinho de Trigo Londrina, Massas Alimentícias Galo, Cia. Cacique de Café Solúvel, Anderson Clayton e grandes Cooperativas como Cotia, etc. Nesta fase de riqueza surgiram os primeiros loteamentos de alto padrão, tais como o Jardim Shangri-lá, Londrilar e posteriormente Jardim Canadá.

Na década de 1960 continuam as ocupações nos prolongamentos dessas vias consideradas principais, como a execução de loteamentos populares, tendo ao sul, Jardins Igapó, Ouro Branco, Piza, Parque das Indústrias, Jardins Cláudia, Arco Íris e Santa Rosa; à norte Jardins Ideal, Paulista, Fortaleza, Paraíso e Parque Ouro Verde; à oeste Jardins Bandeirantes, Sabará, Leonor, Tóquio. Nesta década a população urbana já atinge a 57% da população do município, já contando com importantes equipamentos nos setores educacionais, saúde e saneamento básico.

Nesta década é que se deu o início da implantação de conjuntos habitacionais financiados pelo BNH, tendo ao sul Conjunto Três Marcos, a leste Conjunto Vitória Régia, Conjunto do Café e Conjunto Pindorama; a oeste Conjunto Marumbi.

Na década de 1970, Londrina se consolidou a nível de Brasil, como importante cidade de porte médio, com grande concentração populacional, em parte pela demanda de população rural, tendo em vista o desestímulo na área agrícola, que se acentuou com a erradicação dos cafeeiros no norte do Paraná. Nesta época foi fundada a Universidade Estadual de Londrina, cujas bases foram as primeiras faculdades de Filosofia e de Direito, instaladas no fim da década de 50, que deu um grande impulso à cidade. Hoje, a população universitária de Londrina é de aproximadamente 15.000 estudantes, distribuídos em cinco instituições de Ensino Superior.

A partir desta década, Londrina marca a sua posição como uma cidade contemporânea, onde as atividades econômicas sócioculturais se firmam com instituições de pesquisa de porte nacional como Instituto Agronômico do Paraná-IAPAR, responsável pela geração tecnológica no campo da agricultura e pecuária e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-EMBRAPA, através do Centro Nacional de Pesquisa de Soja, responsável pela pesquisa vinculada à soja e girassol, a nível nacional. Todo este progresso trouxe uma série de problemas ligados à ocupação do espaço urbano, gerando uma cidade complexa, onde os vários atributos da natureza foram sendo degradados, criando injustiça e necessidades sociais prementes. Por outro lado, a administração pública nem sempre conseguiu acompanhar o acelerado crescimento físico-espacial como também as demandas inerentes ao progresso.

Nesta década houve a execução dos Conjuntos Habitacionais das Flores, Jerumenha, Lauro da Veiga Pessoa e Orion. Mas foi no final desta década e início da década de 1980 que ocorreu a grande explosão dos conjuntos habitacionais, principalmente na região norte, com a implantação dos Conjuntos Habitacionais Ruy Virmond Carnacialli, Milton Gavetti, Parigot de Souza, Vivi Xavier, Aquiles Sthenguel, Luiz de Sá, João Paz; à leste Conjuntos Habitacionais Ernani Moura Lima, Mr. Thomas e Lindóia; e à sul Conjunto Anibal Siqueira Cabral (Cafezal).
A década de 1990 tem sido marcada como uma fase onde tem havido uma grande incidência de loteamentos particulares, atividade esta aquecida com a estabilidade da inflação devido a entrada do Plano Real, onde a população de baixa renda partiu para a construção de sua casa própria, beneficiados com o programa "Casa Fácil" onde são fornecidos projetos e orientações técnicas, para residências unifamiliares de até 70,00 m².

Hoje, Londrina registra cerca de 412.000 habitantes, com apenas 4% na área rural. Com uma extensão geográfica de 1.715,897 km2, a população urbana se concentra no extremo norte do município.

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Data de atualização: 27/10/2008 15:28:37.