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Festival de Dança de Londrina faz balanço da edição 2016

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Cerca de 8 mil espectadores assistiram a 13 atrações de dança e teatro apresentadas por companhias brasileiras e da França

 

fest.dança. foto Amir Sfair Filho.PO Festival de Dança de Londrina encerrou na segunda-feira (31) sua 14ª edição, depois de 14 dias de programação, divididos entre mostra oficial (1 a 9 de outubro) e a extensão do evento (27 a 31 de outubro). Na última noite do Festival 2016, o público presente no Teatro Mãe de Deus prestigiou o espetáculo “Sakinan Göze Çöp Batar”, concebido pelo multiartista francês Christian Rizzo e apresentado pela primeira vez no Paraná, em uma parceria com o projeto FranceDanse, Institut Français e Embaixada da França no Brasil. O Festival conta com patrocínio da Prefeitura de Londrina, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

Durante o dia, 20 participantes da oficina “Procura-se Um Corpo”, coordenada pela atriz e encenadora Tânia Farias (da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz - RS), ocuparam o Calçadão da Avenida Paraná interagindo com os espectadores em cenas que lembravam os desaparecidos da ditadura militar. Num ato artístico em defesa da democracia, os participantes trouxeram a público o debate sobre os anos de chumbo no país, trabalhando a performance e o teatro como instrumento político de reflexão.

A organização do Festival de Dança 2016 estima que um público de oito mil pessoas assistiu a 13 diferentes atrações de dança e teatro, de companhias brasileiras (de São Paulo, Presidente Prudente, Rio de Janeiro, Curitiba e Londrina) e da França. As apresentações ocuparam o Teatro Mãe de Deus, o Circo Funcart, a Usina Cultural, a Escola Municipal de Dança, o Calçadão e o Zerão.

Democratização dos bens artísticos - O Festival realizou seis oficinas, envolvendo 170 participantes com variadas formações e totalizando 33 horas de programação didática. Foram cursos de “Balé Clássico”, com Guivalde Almeida (Especial Academia de Ballet – SP); “Dança Urbana”, com Leandro Belilo (Cia Fusion de Danças Urbanas - MG); “Figurino Para a Cena”, com Cassio Brasil (SP); “Jazz Lyrical”, com Dijalma Junior (MG); e “Dança Contemporânea - Repertório em Movimento”, com Milton Coatti (São Paulo Companhia de Dança-SP) e “Procura-se Um Corpo”, com Tânia Farias (RS).

De acordo com a organização, a qualidade da programação e, principalmente, os preços acessíveis foram atrativos para que espetáculos e oficinas tivessem intensa frequência de público. “Ao elaborar o Festival nos últimos anos, uma das nossas principais preocupações é a questão da descentralização, do acesso e da democratização dos bens artísticos por meio dos valores reduzidos dos ingressos e inscrições, sem que isso signifique decréscimo da qualidade dos profissionais ou dos locais de fruição. Há muitos anos mantemos o valor de R$ 5 para a meia-entrada e não pretendemos mudar. Os cursos oferecidos têm valores até cinco vezes abaixo do de mercado, além disso, conseguimos aumentar este ano o número de vagas gratuitas para população de baixa renda”, destaca Danieli Pereira, coordenadora geral do Festival.

Em 2016, o Festival de Dança destacou o tema “O Corpo em Gaia”, trazendo em sua curadoria reflexões sobre o impacto das ações humanas no meio ambiente e na esfera das relações em busca de uma reconquista da ética no convívio. Nas noites de apresentação, o público pôde assistir a vídeos sobre a importância da preservação da natureza na voz de diferentes artistas brasileiros.

Qualidade artística - A Cia Urbana de Dança (RJ) abriu em grande estilo a programação 2016, apresentando as coreografias “ID: Entidades” e “Na pista”, que contagiaram a plateia do Teatro Mãe de Deus. O Ballet de Londrina também subiu ao palco do novo teatro para mostrar, com elenco renovado, o maior sucesso da trajetória da companhia: “Decalque”.

A tradicional mostra Dança Londrina reuniu 13 atrações no Circo Funcart, trazendo pequenos trabalhos cênicos e trechos coreográficos produzidos por escolas, academias e por bailarinos independentes da região. Performances de balé clássico, dança de rua, samba de gafieira, zouk, jazz, dança Khalige, street jazz e dança-teatro foram apresentadas no palco por mais de 80 artistas, entre dançarinos e atores.

Espetáculos de teatro também marcaram a programação do 14º Festival de Dança, evidenciando a interface de linguagens a que o evento se propõe. Indicado ao Prêmio Shell de melhor cenário e autor, “Dezuó – Breviário das Águas”, do Núcleo Macabéa (SP), emocionou a plateia da Usina Cultural com a interpretação do ator Edgar Castro e a performance ao vivo do músico Juh Vieira. O espetáculo toca diretamente no tema do Festival 2016 ao narrar a história de um menino de uma comunidade ribeirinha exilado das margens do rio pela construção de uma usina hidrelétrica.

No Circo Funcart, os atores da Mênades & Sátiros Cia de Teatro, de Presidente Prudente, dirigidos por Denilson Biguette, contagiaram a plateia com sua força de interpretação. Em “Angústia”, eles partiram da adaptação de Cássio Pires para o conto de Anton Tchekov para narrar, num envolvente jogo cênico, a melancolia da vida em sociedade e a dificuldade de comunicação e de coexistência.

Um dos destaques do Festival de Dança 2016 foi a Fragmento Companhia de Dança (SP), com o espetáculo “Porque Somos Mutantes” – inspirado nas esculturas do artista plástico Jason Decaires Taylor, que mergulha suas obras no mar para que a natureza se encarregue de transformá-las.

Dois espetáculos abordaram poeticamente a memória, a terceira idade e os ciclos da vida. Com 84 anos de idade, a atriz Carmen Mattos dividiu com o público a emocionante história de uma mulher com Alzheimer. “Calaboca Yolanda” é uma peça da Casa das Fases, criada em 2012 por João Henrique Bernardi e especialmente remontada com o apoio de Devas Girotto para esta edição do Festival de Dança.

Na mesma noite, a bailarina Lu Favoreto, do grupo paulistano Cia Oito Nova Dança, mostrou no Circo Funcart o espetáculo “Compêndio para Velhice”, levando para a cena a poesia de pessoas que trilharam longas trajetórias e que trazem em si a sabedoria do tempo. Um espetáculo com música ao vivo executada por Andrea Drigo.

Marcada pelo vigor e fluidez dos movimentos – e também pelo frescor dos 16 bailarinos – a EF Jazz Company, grupo curitibano revelação na linguagem do jazz contemporâneo, mostrou em Londrina “Entre o Véu das Vozes”. A montagem tem coreografia assinada por Eliane Fetzer e foi vencedora do primeiro lugar no gênero no último Festival de Joinville (SC).

Nas ruas - O Festival de Dança também foi às ruas. A arena do Zerão foi tomada pelos palhaços Batata Doce e Turino (Adriano Gouvella e Lucas Turino), de Londrina, no divertido espetáculo “Números”, que atraiu centenas de crianças e adultos.

Na última noite da mostra oficial, o público lotou o Teatro Mãe de Deus para assistir aos mais de 30 bailarinos da Escola Municipal de Dança, que abriram o programa com o 2º ato do balé “Giselle”, e a convidada de honra, a São Paulo Companhia de Dança. Um dos mais importantes grupos de repertório da América Latina, a companhia paulistana apresentou os bailarinos Thamiris Prata e Yoshi Suzuki. Aplaudidos em cena aberta, eles interpretaram o grand pas de deux de “O Corsário”, uma das coreografias mais conhecidas na história da dança.

Para Danieli Pereira, a grade artística e didática da 14ª edição do Festival de Dança celebra a diversidade de estilos, pensando sempre na qualidade dos espetáculos e na troca de artistas locais com grandes nomes da área. “A dança se coloca, cada vez mais, como uma linguagem permeável a outras artes e isso tudo pôde ser visto na programação”, destacou.

O 14º Festival de Dança de Londrina é realizado pela Associação dos Profissionais de Dança de Londrina e Região Norte do Paraná, com patrocínio da Prefeitura de Londrina, por meio do PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), da Caixa Econômica Federal e do Teatro Mãe de Deus, com apoio institucional da Funcart. Apoios: FranceDanse Brasil 2016, Institut Français, Embaixada da França no Brasil, Shop Ballet/Só Dança, Kinise Dancewear, Pastel Mel, Usina Cultural e Rádio UEL FM.

 

Foto: Divulgação - Amir Sfair Filho

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